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III (de poemas a meu pai)
Não quero saber do
além
Através da matéria,
científica
Atitude que não mantém
Vínculos com a voz
que fica
Dentro pulsando superposta
Insistindo em ser, sorrir
Mesmo se retalhada em postas
Pois o corpo teve que ir...
Antes de tudo é bom
lembrar
Que somos terra e água
Peixes que vivem no ar
Que com ou sem régua
Somos matéria transformada
Remapeada, sentindo. |
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Claro que seria lindo
Ter última versão
encarnada
Dialógica, cotidiana
De quem se foi para sempre
Mas que ainda se ama
De renovado amor diferente.
Sentados na sala em vigília
Saber dos segredos da morte
Se é negra a cor
da mobília
Ou se clareia com o corte
Realidades circulares infinitas
Ou apagão sem luzes
aflitas
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Se há mais ou menos consciência
Do todo ou de parte da existência
Se o Deus verdadeiro é
a ordem
O acaso, o medo ou o caos
Quantos mundos se formem
Homens bons, homens maus
Tudo dito às claras,
amigável
Papo sem entredentes olhares
Nem urso, onça ou
cascavel
Papo de velhos lobos dos
mares

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Mas o desejo último
da visão
Da recepção
de visita do além
Seria abrir de vez o coração
Como não abri para
ninguém
Na vida, para um morto
Especial, meu pai, semente
Da qual sou galho torto
Igual mas muito diferente.
Último calor, conforto
Certeza da ida na hora certa
Para que a janela da sala,
aberta
Seja a viagem e o porto
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