prefácio

A poesia de André Gardel está em toda a trajetória de sua vida, como compositor, intelectual e grande amigo. Os poemas deste livro são recortes de suas falas,  suas reflexões, seus sentimentos mais íntimos, repletos da contradição de um ser humano que almeja o melhor de si mesmo.  
 

Não se pode reduzir esta carinhosa apreciação ao que está aqui escrito/criado, pois sua vida e sua música imprimem o ritmo destes poemas que tratam de temas diversos, principalmente o do amor, desejo maior de todo o romântico que encanta/se encanta por uma mulher, ou  mesmo lembra entre triste e alegre a  figura forte do pai, ausência preenchida pelo encontro tardio e o adeus sem ser dito. 

André é um homem da cidade e esta experiência percebe-se de forma velada, por isto rica, nos núcleos de interesse que sempre aborda, em que o urbano se ergue pelas sensações dos seres  isolados que vivem em  pequenos apartamentos no Rio de Janeiro, espaço implícito que aflora, cantado e  chorado nas cordas vibrantes de seu violão e agora em sua poesia  intimista. 

 continua

Abre o azul inicia magicamente com "Abre-te, Cézamo/ Abracadabra/ Abre, vê/  Abril " e despeja o azul sobre a cidade. A poesia deste livro abre caminho para as cenas do homem, habitante da cidade, do Planeta Azul,  "Para o rei /Sem ninho",  "Rei urbano", iniciado no "Samba / Infinitamente /Quebrado..."  A partir daí há fragmentos de cenas da cidade, do amor, da letra da canção, dos personagens, ponto de fuga e da morte  na amplidão desse azul que o poeta explode nestes versos.

 

É interessante observar que nas letras das canções de seu CD, Sons do poema, há a mesma dinâmica que caracteriza Abre o azul, poética fragmentada em bocas, janelas, portas, de um sobrevivente amoroso urbanóide. Basta conferir,  ouvindo "Sobrevivente e Portas..." 

Vale ressaltar os poemas para Nara, a filha tão querida, agora personagem de sua lira, capturada da brincadeira sonora com as almofadas da sala de estar:  "Fazíamos vinho/ Pisando a uva/ Almofada da/ Sala de estar / Rolava no som/ Beatles , Scott Joplin/ E mais  Nando Reis..."
 
 

continua

André Gardel é um poeta que capta muitas das experiências cotidianas que podem ser vividas por nós leitores, representando um tipo de poesia que rompe com a mentalização verbal exagerada, tendência que nos afasta da emoção, do sentimento e do que está entranhado na pele das palavras. 

 

Cabe ao leitor abrir o azul e mergulhar de ponta a cabeça, procurando observar a consciência que Gardel demonstra ter com  as palavras,  sendo ao mesmo tempo seduzido e  sedutor...

 
 

Angela Maria Thereza Lopes
Abre o Azul é uma publicação da LetraVirtual CiberEditora. Todos os direitos autorais reservados.
web-designer: Vera Limaimplementação: 20/01/2000URL: http://abreazul.cjb.net
autor: agardel@unikey.com.br