ponto de fuga

repente-resposta a um poema de um amigo
O avesso daquilo que rejeito
É o começo daquilo que aceito
Pode ser ou não ser ao meu jeito
Pode harmonizar, dilacerar
Meu peito
Aberto em vôo livre ao oposto
Aposto no encanto não no posto
A viagem: gosto e desgosto
Avesso espelhado: céu e mar
Um leito
próximo (duas épicas)

duas épicas

Épica da aventura da descoberta:
Mar, mar, mar. Estrelas. Aurora.
Cauda prateada das Nereidas.
A fé em combate. Letras e letras. 
Estranheza, incompreensão.
Portuguesa missão. História.
Aventura do saque e do domínio.
Globalização. Cegueira mercantil.
A voz que canta anoitece:
Reentrâncias subterrâneas
No ouro imaculado.
A poesia atravessa os tempos 
Interage com os meus dias

 
Os pequenos dias, os pequenos nadas
Impulsionada, celula-se: 
Nova lufada acende a matéria:
Épica da preservação do amor.
Sem tragédias. Cotidiano sim.
Raios lacerando a voz à flor 
Da pele, contudo.
Vitórias e fracassos comuns. 
Medíocres.
A felicidade boba, banal, amiga
A gentileza. A generosidade. 
Épica da generosidade.
O cultivo do jardim possível. 
A alma. As fomes. A comunidade.
O espírito que impulsiona, define
Todas as épicas na veia onírica
Revigorada a cada leitura
A cada viagem

  próximo (ponto de fuga)

ponto de fuga

Me fixo num ponto
Ponto fixo no nada
Nada mais que um ponto
Final de estória vaga

Corpo gráfico vadio
Abandonado a beira-rio
Pelo esquadrão da morte
Das palavras

 
Corpo lírico fulgaz
Ao sol deixado para trás
Por retirantes cegos
Do silêncio

Me fixo num ponto
Em que tudo é nada:
Sentido forma conto
Em morte constelada.

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