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capítulos introdutórios > resumo de To the Lighthouse (versão longa e editada) |
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Instruções para referências bibliográfica: referência do texto virtual (o texto na Internet): referência da tese: resumo de To the Lighthousenota intodutória: To the Lighthouse encontra-se traduzido para o português como Passeio ao Farol, publicado pela Ediouro e Editora Record, em tradução de Luiza Lobo. a foto motivadoraNuma bela fotografia de família, tirada numa biblioteca doméstica, vê-se, ao fundo do cômodo, uma menina de dez anos observando os pais, que lêem no primeiro plano. A foto foi tirada em 1892 e a menina é Virginia Stephen. Em 1925, trinta e três anos depois de ter sido tirada, esta fotografia motiva Virginia a escrever uma auto-biografia ficcionalizada. Trata-se de To the Lighthouse, traduzido para o português como Passeio ao farol ou Ao Farol. Na versão final do romance ou melhor, da elegia, como ela própria se refere a esta obra a cena reaparece nos últimos parágrafos da primeira das três partes, mas sem a presença da filha. Nela, Virginia trata da sensualidade velada que imagina se dar entre seus pais, nos poucos momentos de intimidade que tinham, quando conseguiam ficar a sós. A idéia inicial de To The Lighthouse era de descrever dois dias da família, separados por dez anos. Os fatos seriam tratados apenas como pontuações; o que lhe interessava era resgatar os estados mentais, a atmosfera e o laço invisível entre os membros da família. Foi uma experiência: Virginia se viu escrevendo o texto vinte vezes mais rapidamente do que de costume. elementos fatuais da tramaA trama de To the Lighthouse é relativamente simples e os primeiros parágrafos já anunciam o padrão temático-afetivo que se repetirá ao longo de todo o texto. A obra é dividida em três partes: duas cenas principais A Janela e Ao Farol intercaladas por uma cena intermediária, O Tempo passa, que representam os dez anos que separam as outras duas. To the Lighthouse se abre com Mrs Ramsay sentada ao lado de James, seu filho caçula, no degrau de fora da casa, junto à janela, que dá para o jardim, de onde se vêem o mar e o farol à distância. A mãe afirma para o menino que sim, se o tempo estiver bom, irão todos ao farol, no dia seguinte, mas terão que acordar tão cedo quanto as cotovias. Já aí Virginia nos faz entrar no estado mental de seus personagens e neste caso, no júbilo que se apodera da criança: a afirmação da mãe deflagra em James uma alegria radiante, que mesmo silenciosa, ilumina tudo a seu redor. No entanto, este estado é, logo a seguir, violentamente decepado, como por um golpe de foice. Mr. Ramsay, o pai, se aproxima e afirma: Mas o tempo não vai ficar bom. E a raiva contra o pai toma conta de James, ainda que apenas em silêncio. Aos poucos, o leitor vai sendo informado que o casal se encontra na casa de veraneio, numa ilha, com os oito filhos (Prue, Andrew, Nancy, Jasper, Rose, Roger, Cam e James) e seis hóspedes (Lily Briscoe, William Bankes, Charles Tansley, Mr Carmichael, Paul Rayley e Minta Doyle), dentre os quais, Lily, uma pintora solteira, que se encontra no jardim, a alguns passos da janela, tentando pintar exatamente aquela cena da mãe com o filho. William Bankes é um cientista, amigo da família, que se interessa pela pintura de Lily e conhece Mr Ramsay de longa data. Charles Tansley, um pobre-diabo, aluno-protegé de Mr. Ramsay, se torna alvo de chacota dos filhos, devido a seus modos tensos. Mr Carmichael, um poeta silencioso, passa o dia inteiro tomando sol no jardim. Minta Doyle é a jovem filha de um renomado juiz, cujo pretendente é Paul Rayley. Pouca coisa acontece externamente: o dia transcorre em meio a banalidades de férias de verão em família, até o anoitecer, quando todos se reúnem ao redor da mesa para o jantar. São correrias de crianças, caminhadas pelo jardim, passeios pela praia. Mas o extenso é substituído pelo intenso. Com isso, me refiro ao ritmo dos acontecimentos externos, desacelerado e pouco investido. Ao invés dele, a narrativa se desvia para as intensidades dos estados mentais e acontecimentos internos, procurando abarcá-los num máximo de dilatação temporal-afetiva. A voz narradora penetra no fluxo da consciência dos personagens, como um demiurgo vidente, e vai-nos informando sobre os inúmeros pontos de vistas, verdadeiras mônadas isoladas, que se reúnem naquele cenário e tentam se comunicar, compondo uma complexa rede de forças. E assim, várias vozes, verdadeiros fios narrativos e condutores, se entremeiam e também se perdem, nesta configuração. Poucas tecerão um motivo consistente, um desenho encadeado logicamente, pois a autora as privilegia em planos, como num verdadeiro quadro. Destacam-se nele, primordialmente, as vozes de Mrs Ramsay, Mr. Ramsay e Lily Briscoe. Secundariamente, as de James e dos hóspedes Charles Tansley e William Bankes. Os demais personagens os outros filhos, os empregados e outras visitas aparecem como coadjuvantes, motivos de fundo ou de observação ou de pontuação. Tal é o caso de Prue, a filha mais velha, cada vez mais bela, para quem Mrs Ramsay tece sonhos de casamento; Andrew, que adora dissecar caranguejos, e Cam, a filhinha apenas um ano mais velha que James que, num dado momento do dia, havia disparado em correria pelo jardim sem responder a qualquer chamado. Aos poucos, a figura de Mr. Ramsay vai ganhando contornos. Sua aspereza inicial para com o filho pequeno vai-se confirmando pela mostra de outras rugosidades de seu caráter: temperamento suscetível, humor mutável e imprevisível, excentricidade. Mas outras cores suavizam seu retrato, como sua mente brilhante e sua capacidade de síntese. Além disso, este patriarca temido pelos filhos, catedrático de Filosofia, cuja carreira havia ficado comprometida pela paternidade de tamanha prole, adora a esposa. Junto a ela se transforma num galante cavalheiro, ainda que dependente dos mimos da mulher. Sente-se um fracasso como filósofo, mas ela o consola, relembrando os elogios e láureas por ele recebidas. Mrs Ramsay, por sua vez, aprecia os galanteios do marido e o consola com sinceridade. Belíssima e elegante, mas prática e altruísta, esta mulher, na verdade, se faz disponível para atender as necessidades e carências de todos à sua volta e até dos mais distantes. Como se não fosse pouco ocupar-se de uma casa de veraneio, um marido, oito filhos, empregados e hóspedes, ela sai à visita de pobres e enfermos, na cidade vizinha. Acredita numa espécie de amor fraternal e universal e crê que a vida familiar é a maior realização que pode ter uma mulher. Lily Briscoe, a seu turno, tem trinta e três anos e é solteira. Admira Mrs. Ramsay, mas não compartilha da ideologia de sua anfitriã, quanto às virtudes e múltiplas vantagens do casamento. Lily é independente, dedica-se seriamente à pintura e não se incomoda com o fato de ser considerada pouco atraente, fisicamente, e não ter pretendentes. Tem convicção em suas idéias e acha que seu talento, como artista plástica, a satisfazem o suficiente, e não sente tanta necessidade de ter filhos. Dez anos se passam entre o fim do dia da primeira cena e a manhã do segundo dia. Nesse ínterim O Tempo passa só testemunhamos a degradação da casa: como o reboco cai, o vento entra pelas fendas, o mato se apodera dos aposentos. Trata-se de uma verdadeira tomada de posse por potências não-humanas, esta descrição. Os fatos humanos são informados por frases curtas entre parênteses: Mrs Ramsay morreu, repentinamente. Prue, a mais velha, também, em decorrência de um parto. Andrew, o dissecador de caranguejos, também, atingido por uma granada, durante a guerra. A segunda cena principal, Ao Farol, se passa numa nova manhã de verão, na mesma casa, com os membros remanescentes da família e alguns hóspedes, dentre os quais, Lily, outra vez. Mas, ao invés da alegria ligeira e suave que permeia a primeira cena, o clima agora é de tensão, ressentimento e asfixia. A luminosidade que dava claridade e leveza ao primeiro verão, agora parece dura, impiedosa, ofuscante. Mr Ramsay grita impaciente com os filhos e obriga a James e Cam, agora adolescentes, a acompanhá-lo ao farol. Em sua fúria silenciosa e impotente, os dois irmãos mantêm um pacto de resistir contra toda e qualquer tirania, permanecendo mudos e com a fisionomia fechada. Lily, no jardim, resolve refazer o quadro que havia iniciado dez anos antes e nunca havia terminado. Enquanto tenta re-imaginar a cena e ajusta o cavalete, é interpelada por Mr Ramsay, que lamuriante, vem-lhe pedir piedade, enquanto aguarda os filhos menores. Mas, para alívio de Lily, eles chegam e os três saem de barco. Lily os observa tomando distância no horizonte. Sua voz e seu olhar vão-se alternando com os olhares o vozes dos ocupantes do barco, ao longo da narrativa. Quando os três chegam ao farol, ela acaba de pintar o quadro e se afasta dele para observá-lo. _________
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